segunda-feira, janeiro 30, 2012

DOM BOSCO JOVEM, ROGAI POR NÓS!


Celebramos no 31 de janeiro a memória de São João Bosco, ou simplesmente Dom Bosco. Na verdade é como DOM BOSCO que esse grande santo é conhecido em todo o mundo, dando nome a escolas, praças, ruas, associações, grupos e até a um time de futebol profissional em Mato Grosso.

O fato de ser reconhecido canonicamente pela Igreja como santo é sinal que foi um homem de virtudes. O que mais é recordado de seu legado é o amor incondicional que ele demonstrou pela juventude e a sua marca de grande educador. Assim, resumimos como palavras-chaves de seu apostolado JUVENTUDE E EDUCAÇÃO. Não podemos esquecer a sua grande herança pra Igreja: a família salesiana, a responsável por tornar sempre atual e visível os seus ideais.

Como ex-aluno de uma instituição salesiana de ensino, falo em Dom Bosco com prazer e emoção. Parabenizo os tantos amigos salesianos que tenho e agradeço a Deus pela oportunidade de ter sido assistido em meu caminho de formação por uma pedagogia tão eficiente. Outra grande alegria que condivido aqui a respeito da minha relação com a família salesiana, é que na semana santa de 2010 tive a oportunidade de visitar  a “Casa Mãe” dos salesianos. Lá pude ver o quarto de Dom Bosco, diversas imagens e objetos pessoais, o altar no qual ele celebrava.



O Papa João Paulo II o batizou como “Pai e Mestre da juventude”. Uma de suas preocupações era formar não apenas intelectuais, mas sobretudo pessoas de bem, assim ele dizia aos seus: “sede bons cristãos e honestos cidadãos”. Quando a pedagogia ainda se usava métodos repreensivos, ele propôs o “Sistema Preventivo”, quase revolucionando a prática pedagógica da época. Lembrando, ele nasceu aos 16 de agosto de 1915 e faleceu aos 31 de janeiro de 1888.

Aqui compartilho alguns belos pensamentos de Dom Bosco, e que os mesmos possam inspirar nossa vida:

“Tudo aquilo que sou é para vós. Não quero outra coisa senão o vosso bem intelectual, moral e físico. Por vós estudo, por vós trabalho, por vós vivo e por vós estou até disposto a dar a vida.”

“Trabalhemos como devêssemos viver para sempre e vivamos como se devêssemos morrer a cada dia.”

“O primeiro gesto de amor deve ser usado para conosco mesmos.”

“Uma hora de paciência vale mais que um dia inteiro de jejum.”

“Amai sempre os vossos deveres se desejais fazê-los bem.”

“A familiaridade gera o afeto, e o afeto produz confiança. Isso é o que abre os corações.”

Dom Bosco, rogai por todos nós, especialmente pelos educadores, pelos jovens e por todos os que te seguem!

Francisco C. F. Rodrigues, Roma, 30 de janeiro de 2012.

domingo, janeiro 29, 2012

POTIBA: dos clássicos, o clássico!


Muitos canais de televisão, jornais e institutos de pesquisas e estatísticas esportivas já fizeram e fazem, de vez em quando, rankings elencando os maiores clássicos de futebol entre clubes do mundo. Destes rankings, um dos mais respeitados é o da CNN, feito em 2009, mesmo sendo alvo de algumas contestações. Entre os dez primeiros clássicos do mundo, segundo a CNN, o único brasileiro que aparece é o tradicional CORINTHIANS X PALMEIRAS, na nona colocação, atrás do famoso BOCA X RIVER da Argentina, o terceiro. O segundo maior é o derby italiano ROMA X LAZIO.

Que beleza, até aqui dois de meus times preferidos estão no topo dos maiores clássicos do mundo: CORINTHIANS e ROMA! Nem preciso olhar a lista do décimo primeiro em diante, pois tenho certeza que o meu outro time não aparecerá, o POTIGUAR DE MOSSORÓ. Como não tenho embasamento pra analisar o futebol à luz das ciências social e econômica, meu único olhar é o da paixão, logo meu ponto de vista será sempre o do torcedor apaixonado, e no meu coração o primeiro dos clássicos é o POTIBA, ou seja, POTIGUAR X BARAÚNAS, o clássico de Mossoró, um dos maiores do interior do Nordeste brasileiro.

Dia de POTIBA é sempre um dia diferente, independente da fase atravessada pelos dois times. Da minha infância elegi assistir um POTIBA como um dos maiores sonhos da minha vida, e o realizei aos quatorze anos, em agosto de 1998, em jogo válido pela primeira fase da série C do campeonato brasileiro. Pra minha alegria, o Potiguar venceu. De lá pra cá já fui a vários, e aos que não fui, encostei meu ouvido no rádio pra acompanhar como se estivesse no estádio.

Certamente a sociedade mossoroense poderia valorizar mais o POTIBA, adotá-lo como patrimônio e contribuir mais com uma melhor qualificação dos dois times. Enquanto isso não ocorre, o futebol segue seu percurso sofrido, às vezes desacreditado, mas sem perder o encanto e o charme de um clássico. Todos têm direito de fazer seus rankings, assim, eu faço o meu: o POTIBA é, dos clássicos, o clássico!!!

Francisco C. F. Rodrigues, Roma, 29 janeiro 2012.

terça-feira, janeiro 03, 2012

2012: ano de resistência e de risiliência

Os cenários da situação da humanidade, especialmente nos países centrais, são perturbadores. As crises escondem grande padecimento humano, especialmente dos mais vulneráveis dos quais quase ninguém fala.
Face a esta situação devemos resistir e viver a resiliência, vale dizer, aquela atitude de enfrentar com destemor os problemas, dar a volta por cima e aprender dos revezes da vida, pessoal e coletiva.Isso se impõe se a crise geral atingir também nosso pais, o que não é impossível. O importante é não se resignar mas manter a vontade de mudar e crescer. Neste contexto, lembrei-me de um mito antigo da área mediterrânea da Europa por mim já referido em outros escritos.
De tempos em tempos, reza o mito, a águia, como a fênix egípcia, se renova totalmente. Ela voa cada vez mais alto até chegar próxima ao sol. Então as penas se incendeiam e ela toda começa a arder. Quando chega a este ponto, se precipita do céu e se lança qual flecha nas águas frias do lago. Através desta experiência de fogo e de água, a velha águia rejuvenesce totalmente. Volta a ter penas novas, garras afiadas, olhos penetrantes e o vigor da juventude. Seguramente este mito subjaz ao salmo 103 onde se diz:”O Senhor faz com que minha juventude se renove como uma águia”.
Fogo e água são opostos. Mas quando unidos, se fazem poderosos símbolos de transformação. Segundo a psicologia do profundo de C. G. Jung, o fogo simboliza o céu, a consciência e as dimensões masculinas no homem e na mulher. A água, ao contrário, a terra, o inconsciente e as dimensões femininas no homem e na mulher. Passar pelo fogo e pela água significa, portanto, integrar em si os opostos e crescer na identidade pessoal. Ninguém ao passar pelo fogo ou pela água permanece intocado. Ou sucumbe ou se transfigura, porque a água lava e o fogo purifica.
A água nos faz pensar também nas grandes enchentes que temos assistido, estarrecidos, em janeiro de 2011 nas cidades serranas do Estado do Rio, especificamente na minha na qual vivo, Petrópolis. Assistimos aqui a um verdadeiro tsunami que carregou tudo que estava pela frente, matando centenas de pessoas e deixando um sem número de desabrigados. São tragédias, evitáveis mas que acontecem e que devemos enfrentá-las com coragem. O fogo nos faz imaginar as fornalhas que queimam e acrisolam tudo o que não é essencial, deixando ouro ou o ferro puros. São as notórias crises existenciais. Ao fazermos esta travessia dolorosa e purificadora, deixamos aflorar o nosso eu profundo. Então amadurecemos para aquilo que é autenticamente humano. Quem recebe o batismo de fogo e de água rejuvenesce como a águia do mito antigo.
Mas indo diretamente ao assunto: que significa concretamente rejuvenescer como águia? Significa entregar à morte tudo aquilo que de velho existe em nós para que o novo possa irromper e ser integrado. O velho em nós são os hábitos e as atitudes que não nos engrandecem, como a falta de solidariedade para com os pobres, as palavras duras para com os familiares, a vontade de ter razão em tudo, o descuido para com o lixo, o desperdício da água e nossa surdez face ao que a natureza nos quer dizer. Tudo isso deve ser entregue à morte para podermos inaugurar uma forma sustentada de convivência entre os humanos e com os demais seres da criação. Numa palavra, significa morrer para ressuscitar.
Rejuvenescer como águia significa também desprender-se de coisas que um dia foram boas e de idéias que foram luminosas mas que lentamente se tornaram ultrapassadas e incapazes de inspirar o caminho da vida.
Rejuvenescer como águia significa ter coragem para recomeçar e estar sempre aberto a escutar, a aprender e a revisar. Em outras palavras, viver concretamente a resiliência. Não é isso que nos propomos cada ano?
Que o ano de 2012 que acaba de se inaugurar, seja oportunidade de perguntar o quanto de galinha existe em nós que não quer outra coisa senão ciscar o chão ou o quanto de águia ainda há em nós, disposta a rejuvenescer, a desenvolver resiliência e a confrontar-se corajosamente com os tropeços e as crises da vida.

Leonardo Boff, teólogo, filósofo e escritor.