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Ó VEM SENHOR, NÃO TARDES MAIS...


O bonito refrão de Zé Vicente é suficiente para introduzir-nos na espiritualidade ou tema do tempo que a Igreja inaugura hoje, o advento! Sem nenhum aprofundamento etimológico, está claro que a palavra advento tem a ver com vinda, chegada... algo ou alguém VEM ou ESTÁ CHEGANDO!

E, quem vem é o Cristo, o Messias, o Salvador, o Libertador, o Rei dos reis... por mais que usemos inúmeros adjetivos ainda não conseguimos descrever claramente AQUELE QUE VEM, o Senhor! Somente Ele é capaz de preencher os vácuos da nossa existência e saciar nossa sede de paz, justiça, esperança, amor! Daí a necessidade de nos prepararmos bem para tão magnífica chegada, aproveitando bem o que a Igreja proporciona em sua liturgia, através dos textos da Sagrada Escritura propostos para as celebrações deste tempo. No entanto, devemos estar atentos à linguagem dos textos selecionados e considerar o contexto geral da história da salvação.
Devemos nos preparar para a chegada do Senhor sem o medo de um acerto de contas, mas com a alegria de um encontro especial marcado pela ternura e o amor de um DEUS APAIXONADO, que sem deixar de ser Deus, faz-se carne, torna-se humano e vem ao mundo mostrar que apesar das fraquezas da carne, apesar das mazelas da vida em geral, é possível viver melhor. Com a encarnação do Verbo a nossa pertença a Deus se torna mais clara e mais real, podemos dizer que a vinda do Filho ao mundo faz a gente compreender melhor a existência de um Pai eterno; assim, podemos nos sentir mais filhos.

Nessa perspectiva do amor e ternura de Deus, vemos que a linguagem dura dos profetas e dos evangelhos é mais um elemento didático de uma pedagogia terna e misericordiosa de um Deus indescritível que faz até coisas impossíveis para que nenhum dos seus filhos se perca. Esse Deus que já tinha feito de tudo pelo seu povo: libertou da escravidão, deu uma lei, deu uma terra, formou comunidades, formou um reino, mandou profetas, protegeu o povo em perigosas batalhas... fez tudo que possamos imaginar! Mesmo assim, ainda não foi suficiente.

Por ser amor e misericórdia, Deus não permitiria que a obra-prima da criação se perdesse, e por isso fez mais uma aliança: escolhe uma mulher simples, mas cheia de graça para ser a mãe de seu Filho! Deus veio pessoalmente nos ensinar a viver melhor. Com isso reconhecemos também a importância de Maria na história da salvação, aceitando que nela acontecesse o impossível! Fato mais que extraordinário! Quantos homens e mulheres já haviam cooperado com Deus... muitos e muitas! Mas em nenhum caso a cooperação foi tão forte como a de Maria! Por isso a veneramos, a amamos e acreditamos que ainda hoje ela coopera intercedendo pelos filhos necessitados que a ela recorrem.

Vamos então nos preparar, ouvindo a Palavra, participando da Eucaristia e alimentando nossa fé a cada dia, na certeza que nosso Deus faz coisas impossíveis e vem ao nosso encontro para nos abraçar e dizer que nos ama incondicionalmente. Vem saciar nossa sede de paz!

Francisco C. F. Rodrigues, Roma, 27 de novembro de 2011.