Neste
dia em que a Igreja celebra a Festa de São Barnabé, reconhecendo-o como
verdadeiro apóstolo, apesar de não ter composto o “grupo dos doze”, convém
recordar alguns pequenos detalhes que demonstram a grandeza deste personagem.
As
primeiras informações sobre ele no Novo Testamento, considerando a ordem
canônica dos livros, aparecem em At 4,36-37. Nessa passagem, são revelados
alguns dados biográficos básicos, como o nome e o lugar de origem, informações
que poderiam servir até como atestado de idoneidade na antiguidade. Lembremos
que uma das razões para Jesus ser desacreditado entre certas castas da época
foi justamente o fato de ser natural de Nazaré, um lugar sem prestígio, de onde
não deveria sair “coisa boa” (cf. Jo 1,46). Portanto, quando, na Bíblia, se diz
o nome de uma pessoa e seu lugar de origem revela-se a sua identidade.
Este
personagem chamava-se José, um nome prestigioso para a cultura bíblica, da
mesma raiz consonantal de Josué e de Jesus – Js. Seu lugar de origem era a ilha
de Chipre, o que não pesava positiva nem negativamente. Ele recebeu o apelido
de Barnabé, que significa literalmente “filho da profecia”, pelos apóstolos, o
que revela proximidade com eles. Enfim, Barnabé era um judeu da diáspora que
rapidamente aderiu ao movimento de Jesus, tornando-se o primeiro exemplo
concreto de quem viveu profundamente o ideal cristão da partilha: “Ele tinha um
campo, vendeu-o, trouxe o dinheiro e o depositou aos pés dos apóstolos” (At
4,37). Até então, o autor de Atos tinha apresentado essas atitudes como um
ideal, sem mostrar um exemplo concreto de quem tinha feito tal experiência. Com
Barnabé, o ideal se torna realidade.
A
maior colaboração de Barnabé, no entanto, para a Igreja nascente, não foi sua
generosidade caritativa, mas sua coragem de ser o “fiador” de Paulo. Ora,
devido ao seu histórico de perseguidor, Saulo (Paulo) teve muita dificuldade de
ser aceito pelos apóstolos, afinal ele “respirava ameaça” contra a Igreja (cf.
At 9,1). Foi Barnabé, portanto, quem o apresentou aos apóstolos (cf. 9,27).
Isso revela a credibilidade deste homem, descrito pelo autor de Atos como um
“homem bom e cheio do Espírito Santo” (At 11,24). O Novo Testamento é muito
econômico na aplicação do adjetivo “bom” (em grego: ἀγαθός – agathós) a pessoas, pois a
bondade é uma característica essencialmente de Deus.
Se
Paulo não tivesse sido apresentado aos apóstolos por um homem bom, dificilmente
teria sido aceito. Diante disso, se pode dizer que a contribuição de Barnabé
para a Igreja nascente foi inestimável. Sem dúvidas, fez um trabalho de
bastidores, talvez muitas vezes, tenha sido o principal responsável por conter
os ânimos “vulcânicos” de Paulo. Sem Barnabé, portanto, dificilmente a Igreja
tivesse conhecido Paulo.
Pe.
Francisco Cornélio F. Rodrigues – Diocese de Mossoró-RN

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