sábado, dezembro 24, 2011

NATAL NA PERIFERIA: o verdadeiro natal!!!

Mais uma vez celebrando o natal, observo como o povo em geral se prepara para esse momento. O que mais me chama a atenção são as luzes que brilham intensamente nas casas, nos comércios, nas ruas, avenidas e praças das cidades grandes e pequenas.

Que bom que o uso de luzes é constante na preparação da chegada da LUZ MAIOR, a LUZ DA VIDA, Jesus Cristo! Ao mesmo tempo me questiono se tantas luzes com tantas cores não confundiriam até mesmo os magos que foram de todas as partes do mundo para render homenagem ao REI DOS REIS, guiados por uma única luz, a estrela guia!

Não os uso, mas também não condeno os tantos adornos que são usados como natalinos, mas confesso que me preocupo com o sentido que se dá a tantos enfeites. Tenho medo que estes ofusquem o sentido verdadeiro do natal e impeçam que brilhe no coração de todos, a LUZ VERDADEIRA: JESUS CRISTO!

Tenho medo que políticos e empresários oportunistas tornem seus palanques, lojas, shoppings e praças mais atraentes que a humilde mangedoura da periferia de Belém; até porque os adornos estão sempre nas regiões centrais das cidades, distantes das periferias... e foi na periferia onde aconteceu de fato o NATAL!!!

Para continuar e concluir minha reflexão, tomo emprestada a sabedoria de Pe. Zezinho com a música “NATAL NA PERIFERIA”:


 Por: Francisco C. F. Rodrigues, Apodi-RN, 24/12/2011.

domingo, dezembro 04, 2011

DOUTOR, ETERNAMENTE DENTRO DE NOSSOS CORAÇÕES

Uma das piores notícias que um corinthiano poderia receber às vésperas da possível conquista de mais um campeonato brasileiro: o falecimento do maior ídolo de todos os tempos da segunda maior torcida do Brasil, SÓCRATES, o doutor da bola.

Sendo o futebol o esporte predileto dos brasileiros, sendo inclusive um dos principais elementos da identidade nacional, é normal que os cidadãos brasileiros tenham jogadores como ídolos, como referências para suas vidas, embora nem todos os jogadores conseguem traduzir a habilidade em campo na seriedade do caráter fora das quatro linhas.

Sem dúvidas um dos que conseguiu ser craque no campo e fora foi o DOUTOR DA BOLA, SÓCRATES! Um homem, um cidadão, um exemplo de seriedade e de caráter. Não o vi jogar, mas mesmo assim o tenho como ídolo maior no mundo do futebol. Filho de uma geração inesquecível de jogadores, também lutou pela redemocratização do país, conseguindo levar o sonho da democracia para o âmbito do futebol, sendo assim uma referência em questões políticas. Penso que a palavra que melhor o define é simplesmente GÊNIO!!!

Adeus Doutor, o Brasil perde um de seus grandes cidadãos! O exemplo fica!

Francisco C. F. Rodrigues, Roma, 04/12/2011.

domingo, novembro 27, 2011

Ó VEM SENHOR, NÃO TARDES MAIS...


O bonito refrão de Zé Vicente é suficiente para introduzir-nos na espiritualidade ou tema do tempo que a Igreja inaugura hoje, o advento! Sem nenhum aprofundamento etimológico, está claro que a palavra advento tem a ver com vinda, chegada... algo ou alguém VEM ou ESTÁ CHEGANDO!

E, quem vem é o Cristo, o Messias, o Salvador, o Libertador, o Rei dos reis... por mais que usemos inúmeros adjetivos ainda não conseguimos descrever claramente AQUELE QUE VEM, o Senhor! Somente Ele é capaz de preencher os vácuos da nossa existência e saciar nossa sede de paz, justiça, esperança, amor! Daí a necessidade de nos prepararmos bem para tão magnífica chegada, aproveitando bem o que a Igreja proporciona em sua liturgia, através dos textos da Sagrada Escritura propostos para as celebrações deste tempo. No entanto, devemos estar atentos à linguagem dos textos selecionados e considerar o contexto geral da história da salvação.
Devemos nos preparar para a chegada do Senhor sem o medo de um acerto de contas, mas com a alegria de um encontro especial marcado pela ternura e o amor de um DEUS APAIXONADO, que sem deixar de ser Deus, faz-se carne, torna-se humano e vem ao mundo mostrar que apesar das fraquezas da carne, apesar das mazelas da vida em geral, é possível viver melhor. Com a encarnação do Verbo a nossa pertença a Deus se torna mais clara e mais real, podemos dizer que a vinda do Filho ao mundo faz a gente compreender melhor a existência de um Pai eterno; assim, podemos nos sentir mais filhos.

Nessa perspectiva do amor e ternura de Deus, vemos que a linguagem dura dos profetas e dos evangelhos é mais um elemento didático de uma pedagogia terna e misericordiosa de um Deus indescritível que faz até coisas impossíveis para que nenhum dos seus filhos se perca. Esse Deus que já tinha feito de tudo pelo seu povo: libertou da escravidão, deu uma lei, deu uma terra, formou comunidades, formou um reino, mandou profetas, protegeu o povo em perigosas batalhas... fez tudo que possamos imaginar! Mesmo assim, ainda não foi suficiente.

Por ser amor e misericórdia, Deus não permitiria que a obra-prima da criação se perdesse, e por isso fez mais uma aliança: escolhe uma mulher simples, mas cheia de graça para ser a mãe de seu Filho! Deus veio pessoalmente nos ensinar a viver melhor. Com isso reconhecemos também a importância de Maria na história da salvação, aceitando que nela acontecesse o impossível! Fato mais que extraordinário! Quantos homens e mulheres já haviam cooperado com Deus... muitos e muitas! Mas em nenhum caso a cooperação foi tão forte como a de Maria! Por isso a veneramos, a amamos e acreditamos que ainda hoje ela coopera intercedendo pelos filhos necessitados que a ela recorrem.

Vamos então nos preparar, ouvindo a Palavra, participando da Eucaristia e alimentando nossa fé a cada dia, na certeza que nosso Deus faz coisas impossíveis e vem ao nosso encontro para nos abraçar e dizer que nos ama incondicionalmente. Vem saciar nossa sede de paz!

Francisco C. F. Rodrigues, Roma, 27 de novembro de 2011.

sexta-feira, setembro 23, 2011

Precisamos de muita e muita coragem

Em 14 de setembro último, celebrou 90 anos de idade uma das figuras religiosas brasileiras mais importantes do século XX: o Cardeal Paulo Evaristo Arns. Voltando da Sorbonne, foi meu professor quando ainda andava de calça curta em Agudos-SP e depois, em Petrópolis-RJ, já frade, como professor de Liturgia e da teologia dos Padres da Igreja antiga. Obrigava-nos a lê-los nas linguas originais em grego e latim, o que me infundiu um amor entranhado pelos clássicos do pensamento cristão. Depois foi eleito bispo auxiliar de São Paulo. Para protegê-lo porque defendia os direitos humanos e denunciava, sob risco de vida, as torturas a prisioneiros políticos nas masmorras dos órgãos de repressão, o Papa Paulo VI o fez Cardeal.
Embora profético mas manso como um São Francisco, sempre manteve a dimensão de esperança mesmo no meio da noite de chumbo da ditadura militar. Todos os que o encontravam podiam, infalivelmente, ouvir como eu ouvi, esta palavra forte e firme: “coragem, em frente, de esperança em esperança”.
Coragem, eis uma virtude urgente para os dias de hoje. Gosto de buscar na sabedoria dos povos originários o sentido mais profundo dos valores humanos. Assim que na reunião da Carta da Terra em Haia em 29 de junho de 2010, onde atuava ativamente sempre junto com Mercedes Sosa enquanto esta ainda vivia, perguntei à Pauline Tangiora, anciã da tribo Maori da Nova Zelândia qual era para ela a virtude mais importante. Para minha surpresa ela disse:”é a coragem”. Eu lhe perguntei: “por que, exatamente, a coragem?” Respondeu:
”Nós precisamos de coragem para nos levantar em favor do direito, onde reina a injustiça. Sem a coragem você não pode galgar nenhuma montanha; sem coragem nunca poderá chegar ao fundo de sua alma. Para enfrentar o sofrimento você precisa de coragem; só com coragem você pode estender a mão ao caído e levantá-lo. Precisamos de coragem para gerar filhos e filhas para este mundo. Para encontrar a coragem necessária precisamos nos ligar ao Criador. É Ele que suscita em nós coragem em favor da justiça”.
Pois é essa coragem que o Cardeal Arns sempre infundiu em todos os que, bravamente, se opunham aos que nos seqüestraram a democracia, prendiam, torturavam e assassinavam em nome do Estado de Segurança Nacional (na verdade, da segurança do Capital).
Eu acrescentaria: hoje precisamos de coragem para denunciar as ilusões do sistema neoliberal, cujas teses foram rigorosamente refutadas pelos fatos; coragem para reconhecer que não vamos ao encontro do aquecimento global mas que já estamos dentro dele; coragem para mostrar os nexos causais entre os inegáveis eventos extremos, conseqüências deste aquecimento; coragem para revelar que Gaia está buscando o equilíbrio perdido que pode implicar a eliminação de milhares de espécies e, se não cuidarmos, de nossa própria; coragem para acusar a irresponsabilidade dos tomadores de decisões que continuam ainda com o sonho vão e perigoso de continuar a crescer e a crescer, extraindo da Terra, bens e serviços que ela já não pode mais repor e por isso se debilita dia a dia; coragem para reconhecer que a recusa de mudar de paradigma de relação para com a Terra e de modo de produção pode nos levar, irrefreavelmente, a um caminho sem retorno e destarte comprometer perigosamente nossa civilização; coragem para fazer a opção pelos pobres contra sua pobreza e em favor da vida e da justiça, como o fazem a Igreja da libertação e Dom Paulo Evaristo Arns.
Precisamos de coragem para sustentar que a civilização ocidental está em declínio fatal, sem capacidade de oferecer uma alternativa para o processo de mundialização; coragem para reconhecer a ilusão das estratégias do Vaticano para resgatar a visibilidade perdida da Igreja e as falácias das igrejas mediáticas que rebaixam a mensagem de Jesus a um sedativo barato para alienar as consciências da realidade dos pobres, num processo vergonhoso de infantilização dos fiéis; coragem para sentar na cadeira de Galeleo Galilei para defender a libertação e a dignidade dos pobres; coragem para anunciar que uma humanidade que chegou a perceber Deus no universo, portadora de consciência e de responsabilidade, pode ainda resgatar a vitalidade da Mãe Terra e salvar o nosso ensaio civilizatório; coragem para afirmar que, tirando e somando tudo, a vida tem mais futuro que a morte e que um pequeno raio de luz é mais potente que todos as trevas de uma noite escura.
Para anunciar e denunciar tudo isso, como fazia o Cardeal Arns e a indígena maori Pauline Tangiori, precisamos de coragem e de muita coragem.

Leonardo Boff, teólogo, filósofo, professor e escritor. 

REFLEXÃO PARA O 29º DOMINGO DO TEMPO COMUM – Mt 22,15-21 (ANO A)

  O evangelho lido na liturgia deste vigésimo nono domingo do tempo comum continua ambientado em Jerusalém, mais precisamente nas dependên...